Soul + Nova York

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A sorte e a cidade

Terraço do Novotel, na Madison Ave

Tem dias em que tudo dá errado. Será? Ou será que é só uma questão de perspectiva?


Ontem eu fui finalmente ao Whitney Museum, um dos museus que planejava visitar desde que cheguei aqui, por ser conhecido como o que abriga a maior coleçao de pinturas do Edward Hopper, meu pintor americano favorito (ao lado do Pollock). Esse museu é também um dos mais caros, e completamente fora dos meus caminhos habituais. Mas eu nao podia ir embora sem ver esses quadros, e mesmo completamente sem grana resolvi gastar meus ultimos pennys indo até lá.

Cheguei e vi logo os cartazes anunciando a bienal de arte de NY que eles estavam abrigando. Interessante - pensei - mas queria ir direto ao assunto. Fui logo perguntando pra um dos funcionarios: Cade os Hopper? e a resposta foi: só estamos com uns dois ou tres no momento. O resto está excurcionando pelo país e dando lugar a bienal. Oi??? Nao pode ser verdade - disse pra mim mesma, três quadros?! Eu vi mais que isso no Brooklyn Museum de graça (tá, eram todos paisagens, não tinha nenhum dos clássicos dele). Nao vou dizer que nao valeram a pena, mas a frustraçao foi tao grande que eu nem consegui apreciar a bienal que ocupava quatro dos cinco andares do museu. Paciencia.

Resolvi ir até um loja que descobri na 57th St. pra tentar vender minhas joias andando pela Madison (o Whitney fica na 77th St.) mas ao inves de ir logo descendo a Madison resolvi, nao sei por que, subir um quarteirão pra poder atravessar a rua. Que ideia genial! Fui brindada com nada menos do que a loja do Louboutin, maravilhosa como eu imaginava que seria, e a Carolina Herrera logo em frente. Nos vinte e tantos quarteiroes que andei nao vi nada que me deixasse tão deslumbrada como essas duas lojas, e olha que o melhor da moda está exatamente alí (tá bom vai, a loja do Valentino e a do Tom Ford também me deixaram fascinada).

Durante a caminhada eu ia admirando as vitrines como se fossem as obras de arte que não aproveitei no museu de verdade. Me lembrei da minha cena favorita de O diabo veste Prada, quando um dos personagens diz pra garota que moda é uma forma especial de arte, porque você pode usar no seu proprio corpo e sair por aí. Quando a gente vê roupas normais como a que os pobres mortais vestem fica dificil alcançar esse conceito, e tudo parece exagero de quem nao tem mais o que pensar da vida. Mas depois de ver roupas de alta costura de perto dá pra entender um pouco melhor o que isso quer dizer.

Enquanto descansava numa especie de atrio na esquina da 57th com a Lexinton quem passou foi ninguém menos do que Karl Lagerfeld, o todo-poderoso. Até esfreguei os olhos para ter certeza de que nao estava delirando, mas depois me lembrei que isso aqui é NY, essas coisas acontecem (depois de ver a Uma Turman num red carpet quando tava saindo do metro tudo fica normal, mas isso não vem ao caso)

Enfim cheguei a tal loja, mas é claro que o cara nao tava lá. O vendedor me disse: espera um pouquinho que ele ja deve estar de volta. Mas eu não poderia esperar muito, pois tinha que encontrar um amigo na 22nd em meia hora. Esperei até mais do que podia, queria muito encontrar esse cara e mostrar minhas peças. Nada.

Sai correndo pra pegar o metro, que aquela hora estava entupido de gente. O metro atrasou, nao estava fazendo paradas locais, tive que trocar de linha, enfim, me atrasei ainda mais. Quando cheguei na porta da loja onde meu amigo trabalha tudo fechado. Tanto esforço pra nada, e pior, nao sabia nem como matar o tempo até a hora de ir pro Karaoke que eu tinha pra ir lá pelas tantas ali por perto. Encontrá-lo seria estrategico, pois alem de poder me ajudar com ótemos contatos em NY eu ainda teria uma compania agradavel até a hora do karaoke. Nota atual: esse cara virou um dos meus melhores amigos, especialmente depois que eu voltei pro Brasil.

De tao cansada decidi sentar nos degraus de uma loja ao lado que também já estava fechada, e um sujeito que estava passando veio dividir comigo sua alegria por estar no NY Times graças a uma foto que alguem tirou dele 30 anos atrás e que foi parar numa galeria de arte. Enquanto ouvia a história sem muito interesse vejo passando alguém muito parecido com o meu amigo. Sem pensar muito levantei correndo e toquei no ombro dele gritando seu nome numa interrogação. Era um grupo de umas 7 pessoas andando juntas, e eu simplesmente me meti no meio delas pra abordar o cara. Por sorte era ele. Acabamos tomando um café, depois comemos um hamburguer e ainda tomamos uma taça de vinho. Cada ritual em seu devido lugar. Melhor impossível.

A noite acabou num karaoke gay em noite especial em homenagem a Madonna. Sem comentários.
Pelo menos o saldo do meu dia acabou sendo positivo. até o que deu errado acabou dando certo de outra forma. Na pior das hipoteses você pode torturar um bar inteiro cantando "like a virgin" com direito a coreografia e coro. Nao há quase nada que um classico dos anos 80 e um bom drink nao curem.

Ah, NYC...
 
Gotta eat: Hamburguer no Shake Shack - considerado por muitos o melhor hamburguer de NY é definitivamente uma instituição da cidade. Com filiais espalhadas pela cidade, o primeiro e mais tradicional de todos fica na Madison Squre Park, bem pertinho do Flat Iron Building, parada obrigatória pra qualquer turista. Faça um favor a si mesmo e coma o hamburguer acompanhado de milk shake e fritas. http://www.shakeshack.com/
 
Gotta drink: nas imediações da Madison Square há vários lugares legais pra tomar uma taça de vinho. Aproveite o fato de que é bem mais fácil encontrar locais que servem taça de vinho e não apenas garrafa inteira pra provar vinhos diferentes.
 
Gotta buy: Se você tem bala na agulha eu recomendo comprinhas na Madison Ave. Faz mal pro bolso mas faz um bem danado pro ego e pro guarda-roupa. Quem sabe com sorte dá até pra encontrar uma promoção?

Um casamento e uma despedida



Alguns gestos e situaçoes sao capazes de nos dar a dimensao do quanto podemos cativar alguém num curto espaço de tempo. Quando comentei com meu amigo Heliah que teria um casamento para ir no ultimo fim-de-semana, a primeira reaçao dele foi constatar – impressionado – que eu estou aqui ha apenas 5 meses e ja era convidada de um casamento. Eu disse pra ele entao que esse casamento era na verdade uma espécie de marco na minha estada em NY. Queria ficar para presenciar esse momento a qualquer custo.. E foi o que fiz.


Os noivos sao simplesmente duas das minhas pessoas preferidas nesse país. Interessante porque é a primeira vez que conheço um casal e posso dizer com toda sinceridade que gosto de ambos com a mesma intensidade. Para mim é como se eles fossem um. Foi assim que os conheci, foi assim que nos tornamos amigos, foi por ambos que me senti querida e – por formarem um casal realmente harmonioso – torna-se impossivel separar o Joe da Deniz no meu pensamento. Foi engraçado quando tive que escolher de que lado do local da cerimonia me sentaria, pois realmente nao havia resposta oficial para a classica pergunta: voce é amiga do noivo ou da noiva?

Mas aquele casamento significava bem mais para mim do que ver duas pessoas queridas se comprometendo uma com a outra diante de seus amigos e familia. Era também o momento em que eu finalmente começaria a me despedir daquela cidade. Pra valer. Quando o dono da boate me perguntou para quando eu queria a minha passagem de volta, a resposta que eu dei foi “depois do casamento”.

Fui até Chelsea Piers com tres meninas do Brooklyn que acabaram por se tornar minhas unicas amigas mulheres (aquelas com quem voce cai na pista). O caminho do Brooklyn até lá era todo margeando as águas do Rio Hudson. O cenario perfeito para despertar minha saudade do lugar que ainda nem deixei. Quando chegamos custei a acreditar no que estava vendo. O espaço era um dos locais mais bonitos de toda a cidade para se celebrar um casamento. Todo de vidro, cercado pelo rio como convem a um píer e com uma vista de tirar o folego. O horario escolhido era o do por-do-sol, que por causa da garoa que caira durante todo o dia nao estava tao radiante como de costume.

A decoraçao e o cerimonial estavam impecaveis, e quando a Deniz passou pelos convidados em direçao ao local da celebraçao meu coraçao veio na boca. Ela estava perfeita. Linda por dentro e por fora, num vestido que tinha um que de suavidade e romantismo, mas que era extremamente sexy e provocante, contornando seu corpo esguio e delicado. Joe e Deniz passaram toda a cerimonia de maos dadas olhando um para o outro. Sorrindo. Lindo de se ver.

Quando tive a chance de cumprimenta-los tive de me controlar para nao desabar, jamais conseguiria faze-los entender com aquele momento era importante pra mim. A Deniz me disse que eu fui a primeira pessoa que ela reconheceu quando estava andando em direçao ao Joe e a juiza de paz.

Levei minha camera polaroid para registrar o casamento de uma forma diferente. Seria meu presente para eles. Enquanto escolhia cuidadosamente de que forma usar as 10 fotos que estavam na camera fui sentindo um misto de felicidade e melancolia que tem se tornado cada vez mais comum pra mim nessas ultimas semanas. Ver aquele casal tao querido em um dia tao feliz, convidados vindos dos quatro cantos do país e até do exterior, a festa linda, a musica perfeita. Tudo me fazia pensar que eu era sortuda demais por estar ali vivendo aquele momento, mas as vezes tudo é tao intenso que a gente nao consegue aguentar. Na hora de me despedir dos noivos a Deniz quis que eu usasse a ultima foto da camera para posar com ela. Abracei-os com toda intensidade, e disse que talvez aquela fosse a ultima vez que os veria. O DJ começou a tocar Theme from New York, na classica versao do Frank Sinatra, e as luzes dos predios do outro lado do rio pareciam brilhar um pouco mais naquele momento. A ultima coisa que disse foi “I love you” e sai correndo estalando os saltos do sapato para nao perder a carona de volta. Aquele “I love you” foi pra NY, foi pro Joe e pra Deniz, foi pro Universo, por ter me trazido até ali, e até pro Frank Sinatra por providenciar a trilha perfeita pr’aquele instante .

Olhei pra cima para evitar que a lagrima que ja havia brotado corresse pela minha face estragando a maquiagem. Truque clássico de nós mulheres. No céu nao havia estrelas. Todas elas estavam nas janelas dos prédios pra ver um casamento e uma despedida. O céu era a propria cidade, que se dava de presente pra Deniz e Joe desejando que a felicidade deles fosse do tamanho dessa ilha: infinita. De um jeito que só quem conhece consegue entender.

Gotta go: Chelsea Piers fica aberto pra visitação e lá se pode praticar diversos esportes no verão, patinar no gelo no inverno e ainda ter um lindo jantar a bordo de um dos barcos que saem de lá para passeios pelo rio Hudson. Um jeito bem interessante de conhecer a cidade.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Vários Mundos, Uma cidade

Se na segunda feira eu vi os americanos em sua versao mais tola, no sabado foi o contrário. JC me chamou para fotografar o protesto pelos 5 anos de ocupação do Iraque pelas tropas americanas. Seria uma passeata pela 14th St que terminaria na Union Square.

Sem entrar no mérito do quanto é util ou inutil fazer protestos contra a guerra, aquelas pessoas, pela sua simples vontade de fazerem alguma diferença e de serem ouvidas, já poderiam ser consideradas o "melhor tipo de americanos" que se pode encontrar por aqui. Ninguém estava ali representando partido, ninguém estava ali culpando o resto do mundo pela guerra, todo mundo só desejava uma coisa: que seus filhos, amigos e conterraneos fossem mandados de volta pra casa o quanto antes, sem serem substituidos por outros, e que o país parasse de desperdiçar rios de dinheiro com essa guerra enquanto as escolas passavam por problemas de falta de verbas.

Achei que fosse ver muita gente apoiando o protesto só de zoação, mas por incrível que pareça, todo mundo estava realmente engajado naquela causa, o que, independentemente dos resultados, já me fez admirar um pouquinho aquelas pessoas. Eles estavam fazendo a sua parte, não importa o quao grande ela seja.

Quando chegamos na Union Square, por ser um sábado, o green market estava a todo vapor. Era um verdadeiro sábado de primavera: as barraquinhas vendendo flores, frutas frescas, queijos. Os transeuntes tomando cidra quentinha, saboreando amostras de picles e comprando legumes e verduras. Os senhores jogando xadrez na pracinha. Seria uma cena das mais plácidas, nao fosse a multidao de gente gritando pelo fim da guerra, as cameras de TV e os fotógrafos amadores com suas lentes gigantes se pendurando nos postes e nas árvores em busca do melhor ângulo.

Quando o protesto acabou, a multidão que apoiava o fim da guerra deu lugar a um outro grupo. Do nada surgiram centenas de pessoas carregando travesseiros e se dirigindo ao grande espaço aberto no meio da praça. Perguntamos o que era aquilo, e descobrimos que logo haveria uma guerra de travesseiros no meio da praça. O que fui descobrir depois se tratar de um evento anual que acontece sempre na Union Square já há alguns anos. Como não basta assistir, tem que participar, da mesma forma que estava carregando um broche contra a guerra na minha bolsa resolvi comprar um travesseiro pra poder entrar na batalha.

Fomos lá pro meio e tão logo a galera começou a ação a praça se encheu de penas e fronhas de todos os tamanhos. As plumas flutuavam como num traçado ensaiado pelo vento, e depois forravam o chão como um tapete macio e leve. Em contraste, os "adolescentes" de todas as idades gritavam e batiam uns nos outros com seus travesseiros, criando um divertido caos e uma irônica representação de uma batalha que não poderia ser mais pacífica - encerramento acidental para um protesto contra a guerra.

No final estávamos completamente coberto de penas, e famintos. o dia fora tão intenso que esquecemos completamente de comer!!! Andamos em direção ao Soho pra almoçar e o contraste das pessoas daquela área era total se comparado ao que acabáramos de ver. Todo mundo very trendy, hype, nem aí pra guerra - do iraque ou de travesseiros.

O japa que comemos caiu como uma luva no meu estomago, e quando voltei pra casa só conseguia pensar que jamais seria capaz de descobrir quantas cidades cabem dentro da mesma NY. Mas é muito divertido tentar.

Green Market da Union Square - todos os sábados a partir de 9hs

Lure - restaurante com decoração que faz os clientes se sentirem dentro de um barco. No lugar de janelas, escotilhas, e um menu de frutos do mar que vai do japonês às ostras frescas. Tudo delicioso e com atendimento de primeira. Definitivamente um Must Go

terça-feira, 24 de março de 2009

Broken Hearts on sale in NY

Pessoas de todo o mundo vem para NY pelos mais diversos motivos. para tentarem fazer dinheiro, para tentarem ficar famosas, para tentarem escapar da vida miseravel que levam em seus países, para serem o centro das atençoes...


Mas tem uma coisa que ninguém vem buscar em NY: romance, paixao, um relacionamento pra durar. Pode parecer estranho, pois esse tipo de coisa a gente nao exatamente escolhe o lugar pra acontecer, simplesmente acontece ou nao; mas nao em NY. Não que o romance não exista aqui, não é isso que estou dizendo. Mas ele nao mora aqui, está apenas de passagem. Talvez a terra da paixão seja mesmo Paris ou Veneza, mas em qualquer outro lugar o romance é bem-vindo. Não que aqui não seja, mas as pessoas têm um pouco de dificuldade em reconhecê-lo, e quando o fazem, não sabem lidar com ele. Por isso o evitam a qualquer custo.

Aqui as relações são tão objetivas quanto os negócios: as pessoas não querem se apaixonar, e não o fazem, ponto final. Se você perguntar pra alguém o porque, certamente a resposta será algo parecido com- eu tô completamente concentrado na minha carreira, relacionamentos exigem muita dedicação. Ou - eu não posso perder tempo me envolvendo com alguém, preciso cumprir as metas que eu mesma tracei e ainda tenho que fazer dinheiro suficiente para pagar o aluguel. Ou ainda: ainda não tô preparado pra me envolver seriamente com ninguém, prefiro estar numa relação onde eu possa apenas me divertir sem compromisso.

Esse pode ser o discurso oficial, mas tá na cara que a maioria das pessoas sente mesmo é medo da falta de controle que a paixão provoca. Nenhum misterio nisso, é até explicado bioquimicamente. De fato, nossas reações mudam, nossos pensamentos se perdem, nossa concentraçao diminui, nossos batimentos aceleram e a respiração fica diferente. Pode ser bem assustador, concordo. Mas não deveria ser suficiente para que seja evitado a qualquer custo.

Mas os novaiorquinos acostumaram-se a jogar um jogo de regras bem definidas. Basta ter a sorte de conhece-las para que voce nao saia decepcionado (a). As regras são até bem simples, vamos a elas:


regra numero 1: não espere nada de mim. A gente pode sair e se divertir, mas é só.
regra numero 2: não é nada pessoal, mas eu não vou te ligar no dia seguinte, nao importa o quão maravilhoso tenha sido o jantar e o papo. tô muito ocupado pra isso. semana que vem pode ser.
regra numero 3: pra que me ligar se voce pode me mandar uma mensagem de texto? mais simples, mais objetiva, e eu posso responder quando for conveniente.
regra numero 4: voce tem que entender que eu preciso de um tempo pra ficar com os meus amigos, e depois disso talvez eu esteja cansado demais pra te ver no dia seguinte.
regra numero 5: meu trabalho vem em primeiro lugar, se voce nao é capaz de entender isso, entao talvez a gente nao deva mais se ver.
regra numero 6: nada de presentinhos pra dizer que voce pensou em mim. é muito cedo pra isso.
regra numero 7: nós nunca mencionamos parar de sair com outras pessoas.
regra numero 8: quantas ligaçoes eu preciso não atender pra você entender que eu não quero continuar te vendo?
regra numero 9: nós nao somos um casal, estamos apenas saindo.
regra numero 10: o que nós dizemos - você parece uma pessoa muito interessante, além de bonita. adoraria te convidar pra sair. Eu nao gosto de joguinhos, por isso prefiro ser direto, espero que isso nao seja um problema pra você.

O que nós queremos dizer - te achei muito gostosa e queria te levar pra cama depois do segundo encontro se possível. eu prefiro que você seja inteligente o suficiente para sempre concordar com o que eu digo na frente dos meus amigos e sim, voce é apenas mais uma igual as outras, e eu vou jogar meu jogo com voce, mas não é nada pessoal.

Bem, eu sei disso porque estou sempre pesquisando pra tentar entender o comportamento das pessoas. Não vou dizer que algumas dessas coisas não aconteceram comigo, mas não todas e - graças a Deus - eu não tive a péssima ideia de me apaixonar enquanto estou aqui. Mas pra se ter uma ideia, a Time Out Magazine, uma espécie de Veja Rio + Revista do Globo melhorada trouxe na semana do Valantine's Day uma reportagem de capa sobre a dificuldade de encontrar alguém pra se relacionar em NY!!! A seção de dicas para conseguir um encontro e manter o peguete até evoluir para coisa mais séria é imperdivel! me esclareceu muito a respeito do tema.

E não pensem que isso é coisa que só os homens fazem com as mulheres. As mulheres também jogam esse jogo, até porque elas também estão aqui pra vencer profissionalmente e não tem tempo a perder com coisas de menor importância. As regras também valem para gays e lésbicas.

O fato é que quando os primeiros sintomas de envolvimento aparecem, logo uma luz vermelha se acende e é hora de partir para uma relação mais simples e despretenciosa. Nem pensar em chegar perto do perigo de gostar de alguém.

Comprei uma caixa de chocolates em forma de coração que estava a venda com 50% de desconto depois do Valantine's Day. Como isso aconteceu no caminho pra o Riverside Park, resolvi tirar uma foto do coração com uma bela paisagem no fundo. Coloquei no flickr com a seguinte legenda "broken hearts are on sale after valantine's day" por causa da situaçao e também pela ironia, claro.

Um dos meus contatos do flickr comentou a foto, dizendo que a legenda era muito triste, e eu fui na página dele para responder. Conforme fui olhando suas fotos (ele mora em New Jersey e também vive tirando fotos de NY), percebi que todo mundo aqui se sente assim, nao é exclusividade minha nem de ninguém. Todas as imagens mostravam isso, ainda que sem querer. Vai ver todo mundo é sozinho porque todo mundo tem a cidade como compania. Estamos mesmo sempre muito ocupados para perceber que às vezes só isso não basta.

Contra todas as circunstancias, ainda acredito que, se tiver que ser, vai ser pra quem for, com quem for e aonde for, mesmo que em NYC. djavan já dizia que "por ser encantado o amor revela-se, e por ser amor, invade e fim" , quem sou eu para discordar? Talvez tudo que eu precise bem agora é daquela caixa de chocolates que eu comprei. Um coraçao encalhado, vendido barato porque ninguém quis. Wrong timing.

Sorte de quem abriu e pode sentir os batimentos acelerados, o resto do mundo desaparecendo por um segundo, a falta de capacidade de se concentrar, os pensamentos vagueando...

Vai dizer que voce nao sabia que a paixao provoca os mesmos efeitos no corpo que uma porçao de chocolate?

Gotta Go
Riverside Park - O parque se estende pela Riverside Drive entre a 72nd e a 155th Sts. O melhor local para começar o passeio é na altura da 85th indo até a 95th Sts. Ao longo da West 88th St. é possível ver a típica arquitetura do Upper West Side, contruída no final do século 19. O monumento aos soldados mortos durante a Guerra Civil fica na Riverside Drive na altura da 89th St.
Gotta eat
Zabar's - Um misto de delicatessen e Café onde é possível encontrar ingredientes especiais para preparar quase qualquer prato. No Café dá pra provar os pães artesanais e demais iguarias feitas com produtos de primeira. Onde fica: Broadway com 80th St.
Gotta Drink
Calle Ocho - Uma pedida para a noite na altura da 81st St, esse Restô Latino com decoração colorida tem na culinária cubana sua maior fonte de inspiração. Por lá não faltam mojitos, caipirinhas, margueritas e ceviches pra apimentar a noite. Também não falta gente interessada em ver e ser vista, quemm sabe não é lá que você pode descolar um "date"?
Onde fica: 446 Columbus Ave. entre 81st e 82nd Sts. Metro linha B ou C estação 81st St.

terça-feira, 17 de março de 2009

Trevos, duendes e outras coisas verdes





Dia 17 de março é Saint Patrick's day, portanto um dia onde os irlandeses que moram nos EUA se reunem para celebrar sua cultura. Seria mais um dia como outro qualquer, que só teria importancia para os irlandeses, mas é bem mais do que isso.. Por alguma razao que eu desconheço completamente, todos os novaiorquinos (nao sei se acontece no resto do país) entram em contato com sua porção irlandesa nesse dia e vao para as ruas vestindo verde para acompanhar uma parada que acontece na quinta avenida desde Midtown até o Upper East Side. Com semanas de antecedencia as lojas começam a vender camisetas verdes, chapéus, trevos e toda sorte de artigos que lembrem a Irlanda. Antes de chegar o dia já dava pra sacar o nivel da coisa, pois a camiseta mais vendida era a que trazia os dizeres: "Kiss me, I'm Irish." ou "I'm not irish, but you can kiss me anyway". Os bares anunciavam suas cervejas irlandesas adquiridas especialmente para a ocasião, e todo mundo fazia planos pra se largar na terça-feira, como se por alguma forma de indulto, aquele fosse o único dia do ano em que era permitido aloprar sem limites e como se nao houvesse amanhã.

Na ância de conferir de perto esse misto de festa profana e parada militar, fiz três baldeações de metrô para chegar ao Upper East Side e conferir de perto esse evento que prometia ser a versão americana do carnaval de Salvador. Not.







O dia estava perfeito. Um sol como há tempos eu não via e conforme o metro se aproximava das ruas onde acontecia a parada mais e mais pessoas entravam nos vagões vestidas de verde. Achei que havia alguma chance de ser divertido, mas quando finalmente cheguei ao local do desfile, qual não foi a minha decepção ao ver apenas um monte de gente olhando os irlandeses de todas as idades passarem tocando suas gaitas de fole e usando kilts. Animaçao zero, música fraquíssima, gente alcoolizada andando pelas ruas numa euforia sem razão. Coisa de quem não sabe exatamente como festejar. O que salvou a tarde foram as crianças fofas vestidas de irlandeses vendendo limonada e cookies nas banquinhas, como nos desenhos do Charlie Brown.

Andei da 34th St com a 9 av até a 6th St com av. B. Passei por Chelsea, Union Square, Chinatown, até chegar ao East Village pra tomar uma cerveja irlandesa com meu amigo JC já de noite. Enquanto caminhava por todas essas vizinhanças esbarrava com mais e mais pessoas bebadas e rindo à toa, segurando suas garrafas de cerveja dentro dos saquinhos de papel. Não pude deixar de pensar como aquilo era patético. Mas ao mesmo tempo torna-se compreensível quando se tem em conta que esse é um país extremamente conservador e reprimido.

Os saquinhos de papel embrulhando as garrafas como a gente vê nos filmes tem uma razão de ser: como é proibido beber na rua, as pessoas colocam suas cervejas no saquinho para que não seja possivel ver o rótulo. Todo mundo sabe que é cerveja, inclusive a polícia, mas esta não pode fazer nada contra a pessoa carregando a cerveja se nao for possível afirmar com segurança que se trata de bebida alcoólica, caso contrário seria uma violação de direitos. Então fica tudo por isso mesmo. E viva a hipocrisia!

Encontrei o JC e tomamos cerveja irlandesa só pra marcar a data. Deu vontade de estar usando minhas botas amarelas com uma camiseta verde, só pra mostrar pra todo mundo que eu sou brasileira mermo, sem essa de irlandesa por um dia. Nessas horas até a ideia mais clichê de brasilidade cai bem, porque vem junto com um orgulho de ser de uma terra onde todo mundo nasce já sabendo festejar. Devia fazer parte do nosso currículo. Como major skill. Mas cada um usa o verde que merece né?!


Gotta go
Saint Patrick's Day - 17 de março às 11 hs
5 Avenida da altura da 44 st. até a 86 St.
Consulte informações locais para maiores detalhes

Gotta drink
Não poderia haver dia melhor para visitar o bar que é uma instituição da cidade. O McSorley's é um bar em estilo irlandês que foi inaugurado em 1854 e de lá pra cá mudou muito pouco (com dá pra conferir pelas fotos antigas que enfeitam as paredes). Ele é considerado o bar mais antigo de Nova York, e serve Draft Beer (cerveja na pressão) em dose dupla a qualquer hora. Não tente sofisticar muito na comida se bater aquela fome. O Cheeseburguer com fritas é a pedida ideal para acompanhar as cervejas (clara ou escura) bem tiradas por um dos bartenders figuras do local.

McSorley's - 7 St. número 15E. entre a 2nd e a 3rd Av. metrô 6 para Astor Pl.

domingo, 8 de março de 2009

Here comes the sun



Hoje acordei razoavelmente cedo, especialmente se considerar a hora em que fui dormir ontem. Estava perambulando pela casa tentando decidir se fazia um café ou se voltava pra cama, quando vi duas generosas nesgas de sol entrando pela janela dos fundos. Como normalmente não estou acordada nesse horário e a presença do sol também nao é uma constante durante o inverno, posso dizer que estava diante de uma cena rara.

Meu apartamento está constantemente em torno de 20 graus, de modo que a presença ou ausencia de sol não interfere em nada na temperatura interna. Mas interfere em algo que casaco nenhum pode resolver: o meu estado de espírito. A gente vai driblando o frio até com certa categoria, mas chega uma hora que parece que o corpo pede pelo amor de Deus por um pouco de sol. Está mais do que provado cientificamente que o sol afeta o humor, que ele é responsavel pela ativaçao da vitamina D no organismo, etc. Mas hoje eu literalmente senti na pele a falta que o sol faz.

Cheguei perto dessa nesga e fiquei me esgueirando para poder sentir não apenas a luminosidade, o brilho, mas também a quentura. Aquela sensação de fechar os olhos e saber aonde o sol está só pela intensidade com que os raios tocam o nosso corpo. Quem me visse certamente diria que eu estava louca. De calça e blusa arregaçadas, com a palma das mãos e os braços virados pra cima, a cabeça baixa na altura do colo (isso sentada na cadeira), buscando uma posição ideal para que uma parte considerável do meu corpo pudesse sentir aquele calor. Não preciso dizer que durou pouco. É inverno. É NY. É uma nesga de sol entrando por uma janela nos fundos.

Mas durou o suficiente. Curiosamente, resolvi tomar um mate leão (achei um supermercado brasileiro!) com o limão que eu afanara da boate ontem mesmo, e pensei comigo: cada um tem a praia que merece (ou que escolhe), e o mate pra acompanhar.

Um amigo muito querido costuma dizer que o sol não precisa de platéia pra nascer, mas hoje, mesmo que por um breve momento, eu fiz questão de aplaudir.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Carnaval, Carnival



Semana passada descolei uma festa de Carnaval pra ir no sábado de Carnaval. Seria num lugar muito famoso aqui, chamado SOBs (Sounds of Brazil). Esse lugar é um lugar de musica ao vivo que há tempos costumava ser apenas brasileiro, mas atualmente reúne o que de melhor se pode ter em termos de ritmos latinos em NY.

Mesmo não esperando grande coisa, fiquei bem animada, afinal, Carnaval ruim ainda é melhor que Carnaval nenhum. Comprei botas de cano longo amarelas especialmente pra essa noite. Queria que todo mundo que me visse na rua soubesse de pronto que eu era brasileira. Coloquei meu vestidinho preto indefectível e lá fui eu.

O calor que eu ainda guardo do Brasil me aqueceu naquela noite enquanto andava até o metro pisando firme com minhas botas amarelas. Nem fechei o casaco, queria sentir um pouco do vento nas pernas, que pela primeira vez desde que cheguei estava usando vestido sem meia-calça.

Cheguei lá, encontrei as americanas que eu convidei pra irem comigo, pedi uma caipirinha (a mais cara da minha vida!!!! mas eu merecia, afinal, era sábado de Carnaval) e fui dançar. A música até que estava animada, mas o verdadeiro Carnaval começou quando a banda brasileira subiu ao palco.

O cavaquinho, a cuica chorando, a percussão eletrizante... os músicos usando camisas da Mangueira, de repente eu estava de volta ao Brasil. Não tinha noção de quanta falta eu sentia daquela energia contagiante que esse tipo de musica traz. "Explode coração, na maior, felicidade..."

Resolvi ficar bem pertinho do palco, não queria perder nenhum segundo daquela sensação. Quem me conhece sabe que Carnaval e eu fomos feitos um para o outro, por isso sambei como sempre e me senti feliz como nunca.

Diga espelho meu, se na avenida alguém mais feliz que eu?... Certamente não havia, mesmo que a avenida fosse um club em NY, com o termômetro marcando 4 graus do lado de fora. Musica baiana, sambas do Rio, marchinhas....

A banda me aclamou rainha, requisitaram a minha presença no microfone quando voltaram a tocar depois de um intervalo e eu estava bebendo água, a pista se abriu pra eu passar. "Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria, bate palma com vontade, faz de conta que é turista..."

Fui rainha do Carnaval - na Big Apple, mas fui. E não aceito que digam que a concorrência é pouca, porque pra mim simplesmente não importa. O samba saiu procurando por mim, e me encontrou aqui, numa pequena/grande ilha/maça no Hemisfério Norte, cercada de gringos em seu habitat natural. Gringa aqui sou eu! "Quem te viu, quem te ..."

Estava eu lá, com minhas botas amarelas, sem ter a vergonha de ser feliz, sabendo que a vida podia ser bem melhor, e tentando de todo jeito que ela seja, mas tendo a certeza de que ela é bonita, nem que seja por apenas algumas horas, quando eu pude sentir de novo o coração pulsando no ritmo da bateria.

Voltei pra casa de metrô, cansada e feliz, e quando estava saindo do trem o condutor colocou a cabeça pra fora pra me dizer: "nice boots!"
Eu apenas sorri e disse - obrigada! - Talvez ele não tenha entendido, talvez sim, mas estava me sentindo tão bem por ser brasileira que deixei meu coração falar em português.
Gotta go
Sonds of Brazil - 204 Warrick Street esquina com West Houston
Metro linha 1 ou 9 para Houston Street.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Minha cidade viva




Se a minha relação com a cidade é como um verdadeiro relacionamento, assim como nos relacionamentos, tem dias que a gente não quer ver o outro, e tem dias que o outro não quer nos ver.


Ontem foi um daqueles dias em que eu acordei e não queria olhar pra cara de NY. Pra que sair do meu apartamento onde a temperatura se mantém constantemente em 74F, o que seria mais ou menos uns 22 graus? Mas percebi que quando a gente quer que um relacionamento dure, temos que fazer algum esforço, de ambos os lados, para que isso aconteça. Olhei a temperatura no computador: 0 graus! Olhei então pela janela, e até havia um esboço de sol. Resolvi sair de casa, tinha mesmo algumas coisas pra fazer.


Errei o caminho, nao achei o lugar que estava procurando, mas não posso dizer que foi ruim, porque descobri uma pracinha com um balanço que podia ser usado por adultos. Passei um tempo ali, ao sabor do vento, até que a chegada de um bando de adolescentes me lembrou que eu ainda nao tinha feito tudo o que devia. Quando estava saindo da minha loja de sapatos preferida no bairro, qual não foi a minha surpresa: começou a nevar!

Os flocos de neve eram tão grandes que pareciam bolinhas de isopor caindo do céu. Resolvi voltar logo pra casa; precisava me aquecer mais para poder cruzar a ponte do Brooklyn enquanto estava nevando. Pouco antes de colocar a chave na porta a neve parou. Achei que ia recomeçar, mas não aconteceu. Entendi então que a cidade estava fazendo a sua parte pra me recompensar. Esse era seu modo de me agradecer por ter resolvido sair de casa e pisar suas ruas, sentir seus cheiros, ouvir seus ruidos.


A neve não durou mais do que 5 minutos, se eu estivesse em casa nem teria visto. Se tivesse ficado mais tempo olhando sapatos, não teria percebido, mas aqueles precisos e preciosos 5 minutos foram suficientes pra que eu entendesse que Nova York também sabe apreciar quem tem prazer em estar com ela, em estar nela; não por obrigação, mas por vontade. Assim como nos relacionamentos.

Ao menos naqueles que dão certo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Mr. Wrong, Mr. Big, Mr. NY




“NY é como um caso de amor com Mr. Wrong – ele é imprevisível, instável, não é alguém que você possa apresentar a sua mãe, e possivelmente tem um custo-benefício desfavorável – mas é infinitamente mais atraente e excitante do que qualquer outro. Quem poderia deixar alguém assim?”



Li essa frase num guia bem antigo sobre a cidade e fiz uma tradução livre. Achei muito pertinente, mas cada um tem a sua própria relação com a cidade. Descubra como é a sua e depois me diz se concorda. E não confunda Mr. Wrong com Mr. Big (embora a descrição até seja compatível com o eterno affair de Carrie Bradshaw. Aliás, difícil saber a quem ela ama mais, o sexo - Mr. Big - ou a cidade...).


Pra relembrar Sex and the City, ouça o delicioso tema de abertura:

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Minha cidade viva


Hoje passei o dia inteiro em casa. estava chovendo e a temperatura, em torno de 4 graus. Me senti meio desanimada, e comecei a pensar como o clima afeta o comportamento das pessoas por aqui. Essa cidade pra mim é como uma pessoa, ela fica de bom humor, de mau humor, de "ovo virado", receptiva, séria, formal...

Parece maluquice mas é verdade, pelo menos é assim que eu sinto. A gente não esta acostumado a tantas variações climáticas, por isso não percebe o quanto um dia com vento, um dia sem sol, um dia frio e com sol pode mudar o nosso jeito de se relacionar com os outros e com nós mesmos.
Semana passada, depois de sucessivos dias de frio intenso, tivemos uma semana de temperaturas amenas, e foi incrível! Pela primeira vez desde que cheguei aqui pude sair de casa usando apenas uma camiseta (não estava calor, estava apenas agradável, em torno de 18 graus).
Resolvi que tinha que aproveitar esse dia pra ficar ao ar livre, e fui ao Central Park. Que escolha perfeita!!!! Dava vontade de sorrir só porque eu estava sentindo o sol na minha pele (e na pele mesmo, não no casaco), dava vontade de cantar, porque o sol batendo nas folhas secas e na água ainda congelada é poesia em forma de paisagem. Parece que tudo fica dourado. A cidade estava de ótimo humor. Fui até entrevistada por um canal japonês sobre esse dia tão atípico, pra vocês verem como um dia assim é um acontecimento por aqui.
Ontem resolvi sair por aí pra pensar na vida, o vento incessante me envolvia e parecia dizer: Hey, você não está sozinha, a cidade está aqui pra te fazer companhia. O vento frio dava a sensação de que as lágrimas iriam congelar sobre meu rosto.
O mais incrível é que isso realmente acontece. Nos dias frios não há poças d'água, apenas pequenos lagos congelados no meio da calçada, esperando pelo sol para que sejam chuva de novo, nesse ciclo interminável.

Quando a cidade está de mal humor chove gelo do céu. É feio e machuca. Quando ela está de bom humor, neva. E todo mundo volta a ser criança vendo a paisagem se cobrir de branco.
Comecei a entender porque os americanos são tão fechados, tão reprimidos afetivamente. As camadas que a gente tem que usar pra se proteger do frio, eles acabam usando também pra se proteger das pessoas. Se a cidade joga duro com o tempo, eles acabam jogando duro uns com os outros.

Ainda bem que depois do inverno vem a primavera. Aí a cidade deixa de ser tão severa. Vai ver é apenas um teste, como num relacionamento. A gente precisa passar pelos dias ruins pra ter certeza de que quer ficar com a outra pessoa, e quando os dias bons chegam, a gente tem certeza de que fez a escolha certa...
ps: vale a pena ouvir essa música sobre NY feita pelo Moby. Nada a ver com qualquer clássico sobre a cidade que você esteja esperando.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Nova York em preto, branco e Etta James



Pra ter certeza de que Nova York é como um bom jazz: romântica, sexy, atemporal e inesquecível.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Gotta Know - Coisas que você precisa saber antes de viajar

Taxas:

A taxa que incide sobre todos os produtos em Nova York é de 8,375%. Essa taxa não recai sobre roupas e calçados que custem menos de U$110. Sobre estes, a taxa passa a ser de 4,375%. Atenção! Joias, relógios e demais acessórios pagam a taxa de 8,375%.
A taxa relativa a ocupaçao de hotéis é de 13,375% mais U$3,50 por quarto por cada noite.

Fumar ou nao fumar:

É proibido fumar em qualquer área pública de NY, incluindo bares, restaurantes, boates e estaçoes de metro.
Mas se voce estiver num bar e quiser sair pra fumar pode voltar sem problemas quantas vezes quiser.

Beber pode?

Só é permitido o consumo de bebidas alcoolicas dentro de bares e restaurantes. É proibido consumir bebidas na rua, sob pena de multa. Também é proibido servir bebidas alcoolicas depois das 4 da manha em qualquer lugar, por isso esse é o horário de fechamento da maioria dos bares e boates da cidade.

Gorgeta:

Em hotéis, o costume é dar de U$1 a U$2 para camareiras, carregadores de mala e demais funcionários.
De modo geral, todos os serviços são contemplados com gorgetas, como massagens, cortes de cabelo, ou alguém carregando suas malas no aeroporto. O valor é proporcional ao serviço prestado. Depende do seu bom senso.

A voltagem elétrica em NY é 110V

Dinheiro
Os caixas eletronicos ATM funcionam 24 hs e estão por toda cidade, mas o valor pago pelo uso varia de lugar para lugar. A forma mais barata de sacar dinheiro é indo ao caixa eletronico do seu próprio banco, se ele estiver presente em NY ou for conveniado a um banco de lá.
10 coisas básicas sobre NY

1. Para qualquer tipo de informaçao sobre a cidade, basta ligar 311 ou 212-NEWYORK.


2. A Quinta Avenida divide Manhatan em East e West Side. Preste atençao na letra (E ou W) ao pegar um endereço.


3. Quando pedir uma localizaçao sempre pergunte em que quarteirão fica aquele número (ex: Sétima Avenida número 810, entre as ruas 52 e 53)


4. Em Manhattan, quaisquer 20 quarteiroes que se ande para sul ou norte equivalem a uma milha, ou 1,6 Km.


5. Se o numero sobre o táxi estiver iluminado, significa que o taxi está livre.


6. As gorgetas dadas a garçons, bartenders e motoristas de taxi ficam em torno de 15 a 20%. Basta multiplicar por dois aquela taxa de 8,375% que vem discriminada na nota para facilitar. A gorgeta pode ser dada direto no recibo do cartão, basta somar ao valor a quantia desejada onde diz "tip".


7. Metrocards funcionam tanto no metro como nos onibus, e as transferencias entre eles é gratuita. Podem ser usados também no path que vai de Manhattan a New Jersey.


8. A maioria dos parques públicos oferece conecçao wireless à internet. Bem como as cafeterias e redes de fast food.


9. Muitos estabelecimentos, como Diners e Farmácias, ficam abertos 24hs por dia.


10. O metro também funciona 24hs por dia, mas muitas linhas modificam seu funcionamento durante a madrugada. Observe sempre as placas internas para saber o que mudou.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano-Novo em NY

  • Ir para Times Square ver a bola colorida descer: Roubada


  • Ver os fogos de Times Square de um lugar próximo e com aquecimento: Bacana

  • Passar a virada numa festa fechada: Bacana

    • Gastar os tubos pra entrar na boate do momento: Roubada
    • Descobrir um novo spot na cidade que ninguém ainda conhece e que vai estar cheio de gente descolada: Bacana




        Boate do Hudson Hotel. Não é exatamente novo, não é exatamente barato, mas é muito, muito bacana.

    • Ficar em qualquer lugar ao ar livre congelando à espera do ano-novo: Roubada ou Bacana, depende da companhia

    • Ver a primeira neve do ano de 2009 chegar durante o Reveillon: Bacana


  • Descobrir que o metrô demora mais a passar justo nesse dia: Roubada

  • Voltar andando pro hotel e ver coisas que você só veria no Ano-Novo: Bacana


Comente dando sugestões de programas bacanas e outros que ninguém precisa repetir.




Feliz 2009 para todos!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A estátua da liberdade



Hoje foi um daqueles dias de inverno que a gente fica esperando que aconteça. Ontem choveu horrores e estava um frio absurdo, mas hoje o sol estava lindo, e o frio um pouco menos cruel.

Claro que todo mundo que tem uma chance prefere ficar ao ar livre num dia como hoje, e eu não seria a exceção, especialmente porque o sol faz uma falta imensa. Resolvi que iria tomar a barca até Staten Island, que na verdade é apenas um bairro vizinho, mais ou menos como Paquetá para quem mora no Rio.

Logo que saí do metro me deparei com uma vista deslumbrante. A área onde as barcas aportam não poderia ser mais bonita. Quando tomei a barca resolvi ficar do lado de fora para ter a melhor vista e percebi que o que meu guia de viagem dizia era verdade. Eles recomendam esse passeio como um passeio romântico, para ser feito a dois. Eu já fiz a maioria dos "passeios românticos" que eles indicam sozinha, mas pela primeira vez só havia casais a minha volta.

Comecei a pensar em como estar sozinha, na verdade, nada mais é do que um estado de espírito. Nunca me senti tão bem estando "sozinha" como agora. E quantas vezes me senti sozinha mesmo cercada por conhecidos...

A gente tende a achar que os outros vão nos julgar porque estamos de alguma maneira fora do padrão, como no meu caso, sozinha no convés daquela barca rodeada por casais. Na verdade nossos piores carrascos somos nós mesmos. Quando paramos de nos importar com o que os outros vão pensar a nosso respeito, simplesmente começamos a viver. Viver mesmo. Não apenas representar uma vida que supostamente vai agradar a quem quer que seja.

Passei apenas meia hora em Staten Island. Não poderia demorar muito e me programei para pegar a balsa da volta `as 16:30. Sentada do lado de fora mais uma vez, vislumbrei o mais lindo pôr-do-sol que já vi na vida (Cariocas, me perdoem. O pôr-do-sol em Ipanema continua lindo, nada pessoal). O céu tinha tantas cores que não caberiam na paleta do maior pintor. A beleza era tão intensa e dramática que nenhuma foto poderia descrever. As nuvens pareciam traços feitos com giz, rabiscados despretenciosamente em um céu de todas as cores.




Quando vi a Estátua da Liberdade pela primeira vez não achei grande coisa. Mas foi depois de vê-la hoje que seu significado mudou pra mim. A liberdade que ela representa é a mesma que eu venho buscando. E de repente ela estava lá, em contraste com aquele fundo magnífico, como se a chama de sua tocha tivesse incendiado todo o céu.

Pude sentir a liberdade de um dia de sol no meio do inverno. Pude sentir a liberdade de fazer as coisas no meu tempo. Pude sentir a liberdade de ter uma câmera nas mãos e optar por apenas guardar comigo aquilo que imagem nenhuma será capaz de traduzir. Finalmente entendi porque aquela mulher esta lá, parada, há tanto tempo, mostrando para todo mundo o que é a verdadeira liberdade; um belo dia de sol no inverno, um passeio romântico de barco comigo mesma, uma caminhada tranqüila de volta para casa...

Pois não importa quantos dias ruins tenhamos. Dias lindos sempre virão e a Estátua sempre estará lá, firme e imponente. Esse é o significado da liberdade. A liberdade da estátua. A Estátua da Liberdade.


Staten Island Ferry
Whitehall Terminal (at Whitehall and South Streets) - Metro 1, estaçao South Ferry ou R-W estaçao Whitehall St. South Ferry.

Gotta go
Snug Harbor Cultural Center - 1000 Richmond Terrace (Onibus 40 saindo da estaçao do Ferry) - Centro Cultural que abriga um pequeno Jardim Botanico, além de um museu infantil cheio de atraçoes interativas e um jardim em estilo Chinês. Perfeito para um programa de curta duração em Staten Island.

Gotta eat
- Sequoia - Pier 17 South St. Seaport - Um menu de frutos do mar e decoraçao nautica completam as atraçoes do Sequoia, que tem na vista deslumbrante seu ponto mais forte.

Gotta drink
- Cabana - Pier 17, nível 3, South St. Seaport - Com mais tres filiais espalhadas por Manhatan e outras tantas pelo resto do País, o Cabana é a perfeita traduçao do restaurante latino cheio de animaçao à beira-mar. No verão a música caribenha esquenta a galera e as margaritas, sangrias e mojitos ajudam a refrescar. O ambiente é descontraído e a comida é boa, por preço justo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal em Nova York


Apesar da crise e do aquecimento global o Natal em NY continua sendo um espetáculo de luzes e cores. Impossível não se deslumbrar com as vitrines da 5a Avenida e com o rink de patinação embaixo da tradicional árvore do Rockfeller Center. Não se encantar com o significado mágico que tem um Natal branco e com sorte ver a neve cair em plena noite de Natal. Coisas que só entende quem já viu pessoalmente. Você pode até achar que é muito turistão e que não vai querer conferir de perto. Até chegar lá e ser tomado pela magia do Natal mais encantador que você puder imaginar.
Esse é o Radio City music Hall enfeitado pro Natal. Fica pertinho do Rockfeller Center e cheio de gente sentada em volta desse laguinho. É lá também que acontece o tradicional espetáculo de Natal das Roquetes.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Sejam bem-vindos ao mundo que cabe numa cidade