Ontem eu fui finalmente ao Whitney Museum, um dos museus que planejava visitar desde que cheguei aqui, por ser conhecido como o que abriga a maior coleçao de pinturas do Edward Hopper, meu pintor americano favorito (ao lado do Pollock). Esse museu é também um dos mais caros, e completamente fora dos meus caminhos habituais. Mas eu nao podia ir embora sem ver esses quadros, e mesmo completamente sem grana resolvi gastar meus ultimos pennys indo até lá.
Cheguei e vi logo os cartazes anunciando a bienal de arte de NY que eles estavam abrigando. Interessante - pensei - mas queria ir direto ao assunto. Fui logo perguntando pra um dos funcionarios: Cade os Hopper? e a resposta foi: só estamos com uns dois ou tres no momento. O resto está excurcionando pelo país e dando lugar a bienal. Oi??? Nao pode ser verdade - disse pra mim mesma, três quadros?! Eu vi mais que isso no Brooklyn Museum de graça (tá, eram todos paisagens, não tinha nenhum dos clássicos dele). Nao vou dizer que nao valeram a pena, mas a frustraçao foi tao grande que eu nem consegui apreciar a bienal que ocupava quatro dos cinco andares do museu. Paciencia.
Resolvi ir até um loja que descobri na 57th St. pra tentar vender minhas joias andando pela Madison (o Whitney fica na 77th St.) mas ao inves de ir logo descendo a Madison resolvi, nao sei por que, subir um quarteirão pra poder atravessar a rua. Que ideia genial! Fui brindada com nada menos do que a loja do Louboutin, maravilhosa como eu imaginava que seria, e a Carolina Herrera logo em frente. Nos vinte e tantos quarteiroes que andei nao vi nada que me deixasse tão deslumbrada como essas duas lojas, e olha que o melhor da moda está exatamente alí (tá bom vai, a loja do Valentino e a do Tom Ford também me deixaram fascinada).
Durante a caminhada eu ia admirando as vitrines como se fossem as obras de arte que não aproveitei no museu de verdade. Me lembrei da minha cena favorita de O diabo veste Prada, quando um dos personagens diz pra garota que moda é uma forma especial de arte, porque você pode usar no seu proprio corpo e sair por aí. Quando a gente vê roupas normais como a que os pobres mortais vestem fica dificil alcançar esse conceito, e tudo parece exagero de quem nao tem mais o que pensar da vida. Mas depois de ver roupas de alta costura de perto dá pra entender um pouco melhor o que isso quer dizer.
Enquanto descansava numa especie de atrio na esquina da 57th com a Lexinton quem passou foi ninguém menos do que Karl Lagerfeld, o todo-poderoso. Até esfreguei os olhos para ter certeza de que nao estava delirando, mas depois me lembrei que isso aqui é NY, essas coisas acontecem (depois de ver a Uma Turman num red carpet quando tava saindo do metro tudo fica normal, mas isso não vem ao caso)
Enfim cheguei a tal loja, mas é claro que o cara nao tava lá. O vendedor me disse: espera um pouquinho que ele ja deve estar de volta. Mas eu não poderia esperar muito, pois tinha que encontrar um amigo na 22nd em meia hora. Esperei até mais do que podia, queria muito encontrar esse cara e mostrar minhas peças. Nada.
Sai correndo pra pegar o metro, que aquela hora estava entupido de gente. O metro atrasou, nao estava fazendo paradas locais, tive que trocar de linha, enfim, me atrasei ainda mais. Quando cheguei na porta da loja onde meu amigo trabalha tudo fechado. Tanto esforço pra nada, e pior, nao sabia nem como matar o tempo até a hora de ir pro Karaoke que eu tinha pra ir lá pelas tantas ali por perto. Encontrá-lo seria estrategico, pois alem de poder me ajudar com ótemos contatos em NY eu ainda teria uma compania agradavel até a hora do karaoke. Nota atual: esse cara virou um dos meus melhores amigos, especialmente depois que eu voltei pro Brasil.
De tao cansada decidi sentar nos degraus de uma loja ao lado que também já estava fechada, e um sujeito que estava passando veio dividir comigo sua alegria por estar no NY Times graças a uma foto que alguem tirou dele 30 anos atrás e que foi parar numa galeria de arte. Enquanto ouvia a história sem muito interesse vejo passando alguém muito parecido com o meu amigo. Sem pensar muito levantei correndo e toquei no ombro dele gritando seu nome numa interrogação. Era um grupo de umas 7 pessoas andando juntas, e eu simplesmente me meti no meio delas pra abordar o cara. Por sorte era ele. Acabamos tomando um café, depois comemos um hamburguer e ainda tomamos uma taça de vinho. Cada ritual em seu devido lugar. Melhor impossível.
A noite acabou num karaoke gay em noite especial em homenagem a Madonna. Sem comentários.
Pelo menos o saldo do meu dia acabou sendo positivo. até o que deu errado acabou dando certo de outra forma. Na pior das hipoteses você pode torturar um bar inteiro cantando "like a virgin" com direito a coreografia e coro. Nao há quase nada que um classico dos anos 80 e um bom drink nao curem.
Ah, NYC...
Gotta eat: Hamburguer no Shake Shack - considerado por muitos o melhor hamburguer de NY é definitivamente uma instituição da cidade. Com filiais espalhadas pela cidade, o primeiro e mais tradicional de todos fica na Madison Squre Park, bem pertinho do Flat Iron Building, parada obrigatória pra qualquer turista. Faça um favor a si mesmo e coma o hamburguer acompanhado de milk shake e fritas. http://www.shakeshack.com/
Gotta drink: nas imediações da Madison Square há vários lugares legais pra tomar uma taça de vinho. Aproveite o fato de que é bem mais fácil encontrar locais que servem taça de vinho e não apenas garrafa inteira pra provar vinhos diferentes.
Gotta buy: Se você tem bala na agulha eu recomendo comprinhas na Madison Ave. Faz mal pro bolso mas faz um bem danado pro ego e pro guarda-roupa. Quem sabe com sorte dá até pra encontrar uma promoção?

















