sexta-feira, 3 de abril de 2009

Vários Mundos, Uma cidade

Se na segunda feira eu vi os americanos em sua versao mais tola, no sabado foi o contrário. JC me chamou para fotografar o protesto pelos 5 anos de ocupação do Iraque pelas tropas americanas. Seria uma passeata pela 14th St que terminaria na Union Square.

Sem entrar no mérito do quanto é util ou inutil fazer protestos contra a guerra, aquelas pessoas, pela sua simples vontade de fazerem alguma diferença e de serem ouvidas, já poderiam ser consideradas o "melhor tipo de americanos" que se pode encontrar por aqui. Ninguém estava ali representando partido, ninguém estava ali culpando o resto do mundo pela guerra, todo mundo só desejava uma coisa: que seus filhos, amigos e conterraneos fossem mandados de volta pra casa o quanto antes, sem serem substituidos por outros, e que o país parasse de desperdiçar rios de dinheiro com essa guerra enquanto as escolas passavam por problemas de falta de verbas.

Achei que fosse ver muita gente apoiando o protesto só de zoação, mas por incrível que pareça, todo mundo estava realmente engajado naquela causa, o que, independentemente dos resultados, já me fez admirar um pouquinho aquelas pessoas. Eles estavam fazendo a sua parte, não importa o quao grande ela seja.

Quando chegamos na Union Square, por ser um sábado, o green market estava a todo vapor. Era um verdadeiro sábado de primavera: as barraquinhas vendendo flores, frutas frescas, queijos. Os transeuntes tomando cidra quentinha, saboreando amostras de picles e comprando legumes e verduras. Os senhores jogando xadrez na pracinha. Seria uma cena das mais plácidas, nao fosse a multidao de gente gritando pelo fim da guerra, as cameras de TV e os fotógrafos amadores com suas lentes gigantes se pendurando nos postes e nas árvores em busca do melhor ângulo.

Quando o protesto acabou, a multidão que apoiava o fim da guerra deu lugar a um outro grupo. Do nada surgiram centenas de pessoas carregando travesseiros e se dirigindo ao grande espaço aberto no meio da praça. Perguntamos o que era aquilo, e descobrimos que logo haveria uma guerra de travesseiros no meio da praça. O que fui descobrir depois se tratar de um evento anual que acontece sempre na Union Square já há alguns anos. Como não basta assistir, tem que participar, da mesma forma que estava carregando um broche contra a guerra na minha bolsa resolvi comprar um travesseiro pra poder entrar na batalha.

Fomos lá pro meio e tão logo a galera começou a ação a praça se encheu de penas e fronhas de todos os tamanhos. As plumas flutuavam como num traçado ensaiado pelo vento, e depois forravam o chão como um tapete macio e leve. Em contraste, os "adolescentes" de todas as idades gritavam e batiam uns nos outros com seus travesseiros, criando um divertido caos e uma irônica representação de uma batalha que não poderia ser mais pacífica - encerramento acidental para um protesto contra a guerra.

No final estávamos completamente coberto de penas, e famintos. o dia fora tão intenso que esquecemos completamente de comer!!! Andamos em direção ao Soho pra almoçar e o contraste das pessoas daquela área era total se comparado ao que acabáramos de ver. Todo mundo very trendy, hype, nem aí pra guerra - do iraque ou de travesseiros.

O japa que comemos caiu como uma luva no meu estomago, e quando voltei pra casa só conseguia pensar que jamais seria capaz de descobrir quantas cidades cabem dentro da mesma NY. Mas é muito divertido tentar.

Green Market da Union Square - todos os sábados a partir de 9hs

Lure - restaurante com decoração que faz os clientes se sentirem dentro de um barco. No lugar de janelas, escotilhas, e um menu de frutos do mar que vai do japonês às ostras frescas. Tudo delicioso e com atendimento de primeira. Definitivamente um Must Go