segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Minha cidade viva




Se a minha relação com a cidade é como um verdadeiro relacionamento, assim como nos relacionamentos, tem dias que a gente não quer ver o outro, e tem dias que o outro não quer nos ver.


Ontem foi um daqueles dias em que eu acordei e não queria olhar pra cara de NY. Pra que sair do meu apartamento onde a temperatura se mantém constantemente em 74F, o que seria mais ou menos uns 22 graus? Mas percebi que quando a gente quer que um relacionamento dure, temos que fazer algum esforço, de ambos os lados, para que isso aconteça. Olhei a temperatura no computador: 0 graus! Olhei então pela janela, e até havia um esboço de sol. Resolvi sair de casa, tinha mesmo algumas coisas pra fazer.


Errei o caminho, nao achei o lugar que estava procurando, mas não posso dizer que foi ruim, porque descobri uma pracinha com um balanço que podia ser usado por adultos. Passei um tempo ali, ao sabor do vento, até que a chegada de um bando de adolescentes me lembrou que eu ainda nao tinha feito tudo o que devia. Quando estava saindo da minha loja de sapatos preferida no bairro, qual não foi a minha surpresa: começou a nevar!

Os flocos de neve eram tão grandes que pareciam bolinhas de isopor caindo do céu. Resolvi voltar logo pra casa; precisava me aquecer mais para poder cruzar a ponte do Brooklyn enquanto estava nevando. Pouco antes de colocar a chave na porta a neve parou. Achei que ia recomeçar, mas não aconteceu. Entendi então que a cidade estava fazendo a sua parte pra me recompensar. Esse era seu modo de me agradecer por ter resolvido sair de casa e pisar suas ruas, sentir seus cheiros, ouvir seus ruidos.


A neve não durou mais do que 5 minutos, se eu estivesse em casa nem teria visto. Se tivesse ficado mais tempo olhando sapatos, não teria percebido, mas aqueles precisos e preciosos 5 minutos foram suficientes pra que eu entendesse que Nova York também sabe apreciar quem tem prazer em estar com ela, em estar nela; não por obrigação, mas por vontade. Assim como nos relacionamentos.

Ao menos naqueles que dão certo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Mr. Wrong, Mr. Big, Mr. NY




“NY é como um caso de amor com Mr. Wrong – ele é imprevisível, instável, não é alguém que você possa apresentar a sua mãe, e possivelmente tem um custo-benefício desfavorável – mas é infinitamente mais atraente e excitante do que qualquer outro. Quem poderia deixar alguém assim?”



Li essa frase num guia bem antigo sobre a cidade e fiz uma tradução livre. Achei muito pertinente, mas cada um tem a sua própria relação com a cidade. Descubra como é a sua e depois me diz se concorda. E não confunda Mr. Wrong com Mr. Big (embora a descrição até seja compatível com o eterno affair de Carrie Bradshaw. Aliás, difícil saber a quem ela ama mais, o sexo - Mr. Big - ou a cidade...).


Pra relembrar Sex and the City, ouça o delicioso tema de abertura:

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Minha cidade viva


Hoje passei o dia inteiro em casa. estava chovendo e a temperatura, em torno de 4 graus. Me senti meio desanimada, e comecei a pensar como o clima afeta o comportamento das pessoas por aqui. Essa cidade pra mim é como uma pessoa, ela fica de bom humor, de mau humor, de "ovo virado", receptiva, séria, formal...

Parece maluquice mas é verdade, pelo menos é assim que eu sinto. A gente não esta acostumado a tantas variações climáticas, por isso não percebe o quanto um dia com vento, um dia sem sol, um dia frio e com sol pode mudar o nosso jeito de se relacionar com os outros e com nós mesmos.
Semana passada, depois de sucessivos dias de frio intenso, tivemos uma semana de temperaturas amenas, e foi incrível! Pela primeira vez desde que cheguei aqui pude sair de casa usando apenas uma camiseta (não estava calor, estava apenas agradável, em torno de 18 graus).
Resolvi que tinha que aproveitar esse dia pra ficar ao ar livre, e fui ao Central Park. Que escolha perfeita!!!! Dava vontade de sorrir só porque eu estava sentindo o sol na minha pele (e na pele mesmo, não no casaco), dava vontade de cantar, porque o sol batendo nas folhas secas e na água ainda congelada é poesia em forma de paisagem. Parece que tudo fica dourado. A cidade estava de ótimo humor. Fui até entrevistada por um canal japonês sobre esse dia tão atípico, pra vocês verem como um dia assim é um acontecimento por aqui.
Ontem resolvi sair por aí pra pensar na vida, o vento incessante me envolvia e parecia dizer: Hey, você não está sozinha, a cidade está aqui pra te fazer companhia. O vento frio dava a sensação de que as lágrimas iriam congelar sobre meu rosto.
O mais incrível é que isso realmente acontece. Nos dias frios não há poças d'água, apenas pequenos lagos congelados no meio da calçada, esperando pelo sol para que sejam chuva de novo, nesse ciclo interminável.

Quando a cidade está de mal humor chove gelo do céu. É feio e machuca. Quando ela está de bom humor, neva. E todo mundo volta a ser criança vendo a paisagem se cobrir de branco.
Comecei a entender porque os americanos são tão fechados, tão reprimidos afetivamente. As camadas que a gente tem que usar pra se proteger do frio, eles acabam usando também pra se proteger das pessoas. Se a cidade joga duro com o tempo, eles acabam jogando duro uns com os outros.

Ainda bem que depois do inverno vem a primavera. Aí a cidade deixa de ser tão severa. Vai ver é apenas um teste, como num relacionamento. A gente precisa passar pelos dias ruins pra ter certeza de que quer ficar com a outra pessoa, e quando os dias bons chegam, a gente tem certeza de que fez a escolha certa...
ps: vale a pena ouvir essa música sobre NY feita pelo Moby. Nada a ver com qualquer clássico sobre a cidade que você esteja esperando.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Nova York em preto, branco e Etta James



Pra ter certeza de que Nova York é como um bom jazz: romântica, sexy, atemporal e inesquecível.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Gotta Know - Coisas que você precisa saber antes de viajar

Taxas:

A taxa que incide sobre todos os produtos em Nova York é de 8,375%. Essa taxa não recai sobre roupas e calçados que custem menos de U$110. Sobre estes, a taxa passa a ser de 4,375%. Atenção! Joias, relógios e demais acessórios pagam a taxa de 8,375%.
A taxa relativa a ocupaçao de hotéis é de 13,375% mais U$3,50 por quarto por cada noite.

Fumar ou nao fumar:

É proibido fumar em qualquer área pública de NY, incluindo bares, restaurantes, boates e estaçoes de metro.
Mas se voce estiver num bar e quiser sair pra fumar pode voltar sem problemas quantas vezes quiser.

Beber pode?

Só é permitido o consumo de bebidas alcoolicas dentro de bares e restaurantes. É proibido consumir bebidas na rua, sob pena de multa. Também é proibido servir bebidas alcoolicas depois das 4 da manha em qualquer lugar, por isso esse é o horário de fechamento da maioria dos bares e boates da cidade.

Gorgeta:

Em hotéis, o costume é dar de U$1 a U$2 para camareiras, carregadores de mala e demais funcionários.
De modo geral, todos os serviços são contemplados com gorgetas, como massagens, cortes de cabelo, ou alguém carregando suas malas no aeroporto. O valor é proporcional ao serviço prestado. Depende do seu bom senso.

A voltagem elétrica em NY é 110V

Dinheiro
Os caixas eletronicos ATM funcionam 24 hs e estão por toda cidade, mas o valor pago pelo uso varia de lugar para lugar. A forma mais barata de sacar dinheiro é indo ao caixa eletronico do seu próprio banco, se ele estiver presente em NY ou for conveniado a um banco de lá.
10 coisas básicas sobre NY

1. Para qualquer tipo de informaçao sobre a cidade, basta ligar 311 ou 212-NEWYORK.


2. A Quinta Avenida divide Manhatan em East e West Side. Preste atençao na letra (E ou W) ao pegar um endereço.


3. Quando pedir uma localizaçao sempre pergunte em que quarteirão fica aquele número (ex: Sétima Avenida número 810, entre as ruas 52 e 53)


4. Em Manhattan, quaisquer 20 quarteiroes que se ande para sul ou norte equivalem a uma milha, ou 1,6 Km.


5. Se o numero sobre o táxi estiver iluminado, significa que o taxi está livre.


6. As gorgetas dadas a garçons, bartenders e motoristas de taxi ficam em torno de 15 a 20%. Basta multiplicar por dois aquela taxa de 8,375% que vem discriminada na nota para facilitar. A gorgeta pode ser dada direto no recibo do cartão, basta somar ao valor a quantia desejada onde diz "tip".


7. Metrocards funcionam tanto no metro como nos onibus, e as transferencias entre eles é gratuita. Podem ser usados também no path que vai de Manhattan a New Jersey.


8. A maioria dos parques públicos oferece conecçao wireless à internet. Bem como as cafeterias e redes de fast food.


9. Muitos estabelecimentos, como Diners e Farmácias, ficam abertos 24hs por dia.


10. O metro também funciona 24hs por dia, mas muitas linhas modificam seu funcionamento durante a madrugada. Observe sempre as placas internas para saber o que mudou.