Semana passada descolei uma festa de Carnaval pra ir no sábado de Carnaval. Seria num lugar muito famoso aqui, chamado SOBs (Sounds of Brazil). Esse lugar é um lugar de musica ao vivo que há tempos costumava ser apenas brasileiro, mas atualmente reúne o que de melhor se pode ter em termos de ritmos latinos em NY.
Mesmo não esperando grande coisa, fiquei bem animada, afinal, Carnaval ruim ainda é melhor que Carnaval nenhum. Comprei botas de cano longo amarelas especialmente pra essa noite. Queria que todo mundo que me visse na rua soubesse de pronto que eu era brasileira. Coloquei meu vestidinho preto indefectível e lá fui eu.
O calor que eu ainda guardo do Brasil me aqueceu naquela noite enquanto andava até o metro pisando firme com minhas botas amarelas. Nem fechei o casaco, queria sentir um pouco do vento nas pernas, já que pela primeira vez desde que cheguei estava usando vestido sem meia-calça.
Cheguei lá, encontrei as americanas que eu convidei pra irem comigo, pedi uma caipirinha (a mais cara da minha vida!!!! mas eu merecia, afinal, era sábado de Carnaval) e fui dançar. A música até que estava animada, mas o verdadeiro Carnaval começou quando a banda brasileira subiu ao palco.
O cavaquinho, a cuica chorando, a percussão eletrizante... os músicos usando camisas da Mangueira, de repente eu estava de volta ao Brasil. Não tinha noção de quanta falta eu sentia daquela energia contagiante que esse tipo de musica traz. "Explode coração, na maior, felicidade..."
Resolvi ficar bem pertinho do palco, não queria perder nenhum segundo daquela sensação. Quem me conhece sabe que Carnaval e eu fomos feitos um para o outro, por isso sambei como sempre e me senti feliz como nunca.
Diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu?... Certamente não havia, mesmo que a avenida fosse um club em NY, com o termômetro marcando 4 graus do lado de fora. Musica baiana, sambas do Rio, marchinhas....
A banda me aclamou rainha, requisitaram a minha presença no microfone quando voltaram a tocar depois de um intervalo e eu estava bebendo água, a pista se abriu pra eu passar. "Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria, bate palma com vontade, faz de conta que é turista..."
Fui rainha do Carnaval - na Big Apple, mas fui. E não aceito que digam que a concorrência é pouca, porque pra mim simplesmente não importa. O samba saiu procurando por mim, e me encontrou aqui, numa pequena/grande ilha/maça no Hemisfério Norte, cercada de gringos em seu habitat natural. Gringa aqui sou eu! "Quem te viu, quem te vê..."
Estava eu lá, com minhas botas amarelas, sem ter a vergonha de ser feliz, sabendo que a vida podia ser bem melhor, e tentando de todo jeito que ela seja, mas tendo a certeza de que ela é bonita, nem que seja por apenas algumas horas, quando eu pude sentir de novo o coração pulsando no ritmo da bateria.
Voltei pra casa de metrô, cansada e feliz, e quando estava saindo do trem o condutor colocou a cabeça pra fora pra me dizer: "nice boots!"
Eu apenas sorri e disse - obrigada! - Talvez ele não tenha entendido, talvez sim, mas estava me sentindo tão bem por ser brasileira que deixei meu coração falar em português.
Mesmo não esperando grande coisa, fiquei bem animada, afinal, Carnaval ruim ainda é melhor que Carnaval nenhum. Comprei botas de cano longo amarelas especialmente pra essa noite. Queria que todo mundo que me visse na rua soubesse de pronto que eu era brasileira. Coloquei meu vestidinho preto indefectível e lá fui eu.
O calor que eu ainda guardo do Brasil me aqueceu naquela noite enquanto andava até o metro pisando firme com minhas botas amarelas. Nem fechei o casaco, queria sentir um pouco do vento nas pernas, já que pela primeira vez desde que cheguei estava usando vestido sem meia-calça.
Cheguei lá, encontrei as americanas que eu convidei pra irem comigo, pedi uma caipirinha (a mais cara da minha vida!!!! mas eu merecia, afinal, era sábado de Carnaval) e fui dançar. A música até que estava animada, mas o verdadeiro Carnaval começou quando a banda brasileira subiu ao palco.
O cavaquinho, a cuica chorando, a percussão eletrizante... os músicos usando camisas da Mangueira, de repente eu estava de volta ao Brasil. Não tinha noção de quanta falta eu sentia daquela energia contagiante que esse tipo de musica traz. "Explode coração, na maior, felicidade..."
Resolvi ficar bem pertinho do palco, não queria perder nenhum segundo daquela sensação. Quem me conhece sabe que Carnaval e eu fomos feitos um para o outro, por isso sambei como sempre e me senti feliz como nunca.
Diga espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu?... Certamente não havia, mesmo que a avenida fosse um club em NY, com o termômetro marcando 4 graus do lado de fora. Musica baiana, sambas do Rio, marchinhas....
A banda me aclamou rainha, requisitaram a minha presença no microfone quando voltaram a tocar depois de um intervalo e eu estava bebendo água, a pista se abriu pra eu passar. "Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria, bate palma com vontade, faz de conta que é turista..."
Fui rainha do Carnaval - na Big Apple, mas fui. E não aceito que digam que a concorrência é pouca, porque pra mim simplesmente não importa. O samba saiu procurando por mim, e me encontrou aqui, numa pequena/grande ilha/maça no Hemisfério Norte, cercada de gringos em seu habitat natural. Gringa aqui sou eu! "Quem te viu, quem te vê..."
Estava eu lá, com minhas botas amarelas, sem ter a vergonha de ser feliz, sabendo que a vida podia ser bem melhor, e tentando de todo jeito que ela seja, mas tendo a certeza de que ela é bonita, nem que seja por apenas algumas horas, quando eu pude sentir de novo o coração pulsando no ritmo da bateria.
Voltei pra casa de metrô, cansada e feliz, e quando estava saindo do trem o condutor colocou a cabeça pra fora pra me dizer: "nice boots!"
Eu apenas sorri e disse - obrigada! - Talvez ele não tenha entendido, talvez sim, mas estava me sentindo tão bem por ser brasileira que deixei meu coração falar em português.
Gotta go
Sonds of Brazil - 204 Warrick Street esquina com West Houston
Metro linha 1 ou 9 para Houston Street.
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