segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A estátua da liberdade



Hoje foi um daqueles dias de inverno que a gente fica esperando que aconteça. Ontem choveu horrores e estava um frio absurdo, mas hoje o sol estava lindo, e o frio um pouco menos cruel.

Claro que todo mundo que tem uma chance prefere ficar ao ar livre num dia como hoje, e eu não seria a exceção, especialmente porque o sol faz uma falta imensa. Resolvi que iria tomar a barca até Staten Island, que na verdade é apenas um bairro vizinho, mais ou menos como Paquetá para quem mora no Rio.

Logo que saí do metro me deparei com uma vista deslumbrante. A área onde as barcas aportam não poderia ser mais bonita. Quando tomei a barca resolvi ficar do lado de fora para ter a melhor vista e percebi que o que meu guia de viagem dizia era verdade. Eles recomendam esse passeio como um passeio romântico, para ser feito a dois. Eu já fiz a maioria dos "passeios românticos" que eles indicam sozinha, mas pela primeira vez só havia casais a minha volta.

Comecei a pensar em como estar sozinha, na verdade, nada mais é do que um estado de espírito. Nunca me senti tão bem estando "sozinha" como agora. E quantas vezes me senti sozinha mesmo cercada por conhecidos...

A gente tende a achar que os outros vão nos julgar porque estamos de alguma maneira fora do padrão, como no meu caso, sozinha no convés daquela barca rodeada por casais. Na verdade nossos piores carrascos somos nós mesmos. Quando paramos de nos importar com o que os outros vão pensar a nosso respeito, simplesmente começamos a viver. Viver mesmo. Não apenas representar uma vida que supostamente vai agradar a quem quer que seja.

Passei apenas meia hora em Staten Island. Não poderia demorar muito e me programei para pegar a balsa da volta `as 16:30. Sentada do lado de fora mais uma vez, vislumbrei o mais lindo pôr-do-sol que já vi na vida (Cariocas, me perdoem. O pôr-do-sol em Ipanema continua lindo, nada pessoal). O céu tinha tantas cores que não caberiam na paleta do maior pintor. A beleza era tão intensa e dramática que nenhuma foto poderia descrever. As nuvens pareciam traços feitos com giz, rabiscados despretenciosamente em um céu de todas as cores.




Quando vi a Estátua da Liberdade pela primeira vez não achei grande coisa. Mas foi depois de vê-la hoje que seu significado mudou pra mim. A liberdade que ela representa é a mesma que eu venho buscando. E de repente ela estava lá, em contraste com aquele fundo magnífico, como se a chama de sua tocha tivesse incendiado todo o céu.

Pude sentir a liberdade de um dia de sol no meio do inverno. Pude sentir a liberdade de fazer as coisas no meu tempo. Pude sentir a liberdade de ter uma câmera nas mãos e optar por apenas guardar comigo aquilo que imagem nenhuma será capaz de traduzir. Finalmente entendi porque aquela mulher esta lá, parada, há tanto tempo, mostrando para todo mundo o que é a verdadeira liberdade; um belo dia de sol no inverno, um passeio romântico de barco comigo mesma, uma caminhada tranqüila de volta para casa...

Pois não importa quantos dias ruins tenhamos. Dias lindos sempre virão e a Estátua sempre estará lá, firme e imponente. Esse é o significado da liberdade. A liberdade da estátua. A Estátua da Liberdade.


Staten Island Ferry
Whitehall Terminal (at Whitehall and South Streets) - Metro 1, estaçao South Ferry ou R-W estaçao Whitehall St. South Ferry.

Gotta go
Snug Harbor Cultural Center - 1000 Richmond Terrace (Onibus 40 saindo da estaçao do Ferry) - Centro Cultural que abriga um pequeno Jardim Botanico, além de um museu infantil cheio de atraçoes interativas e um jardim em estilo Chinês. Perfeito para um programa de curta duração em Staten Island.

Gotta eat
- Sequoia - Pier 17 South St. Seaport - Um menu de frutos do mar e decoraçao nautica completam as atraçoes do Sequoia, que tem na vista deslumbrante seu ponto mais forte.

Gotta drink
- Cabana - Pier 17, nível 3, South St. Seaport - Com mais tres filiais espalhadas por Manhatan e outras tantas pelo resto do País, o Cabana é a perfeita traduçao do restaurante latino cheio de animaçao à beira-mar. No verão a música caribenha esquenta a galera e as margaritas, sangrias e mojitos ajudam a refrescar. O ambiente é descontraído e a comida é boa, por preço justo.

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